Sabe o quanto somos importantes pro universo?


 

Você já se questionou o quanto somos importantes para o universo? Não nossas vidas como indivíduos, como populações, nações, como civilizações, como humanidade. Isso é assunto para um outro texto. O que quero que pensem a respeito é sobre a importância da nossa casa, nosso planeta, na imensidão do universo. Tente se questionar a respeito do assunto sem levar em conta suas crenças ou religião.

Há 25 anos, na verdade, fez 25 anos no dia 14 de fevereiro de 2015, que a sonda Voyager da Nasa tirou uma foto da Terra fazendo sua órbita no Sistema Solar. Nosso planeta — a 6 bilhões de quilômetros da nave — é esse pequeno pálido ponto azul iluminado por um raio de Sol. Trata-se de uma imagem icônica, e todas as pessoas que gostam de ciência conhecem a importância dela.

Pálido ponto azulVoyager locationEm verde: a localização aproximada da Voyager quando a foto foi tirada.

A foto foi feita a pedido de Carl Sagan, que convenceu a NASA de que os gastos para tirar a foto valiam a pena, mesmo que ela não tivesse valor científico. Essa foto, ele argumentou, nos mostrará “nosso lugar no Universo“. Muitos se opuseram à ideia porque apontar para o sol poderia danificar os equipamentos da sonda interplanetária. Mas no final, graças à tenacidade de várias pessoas e da ajuda de Richard Truly, administrador da NASA na época, a foto acabou sendo tirada. Você pode ver uma versão maior abaixo:

Blue dot

O livro no qual Carl Sagan fala sobre a foto, O Pálido Ponto Azul, está fora de catálogo, mas pode ser encontrado aqui por um preço bem salgado. Mas se você lê em inglês, a versão para Kindle sai bem mais em conta.

Veja o que Carl Sagan diz sobre a foto no livro:

A essa distância, a Terra pode não parecer muito interessante. Mas para nós é diferente. Considere novamente esse ponto. É aqui. É o nosso lar. Somos nós. Nele estão todos aqueles que você ama, todos aqueles que você conhece, todos de quem você já ouviu falar, todos os seres humanos que já existiram, todos que já viveram suas vidas. A totalidade de nossas alegrias e sofrimentos, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, todos os heróis e covardes, cada criador e destruidor de civilizações, cada rei e plebeu, cada jovem casal apaixonado, cada mãe e cada pai, cada criança esperançosa, cada inventor e cada explorador, cada professor de moralidade, cada político corrupto, cada “superstar”, cada “líder supremo”, cada santo e cada pecador na história da nossa espécie viveu ali — nesse grão de poeira suspenso num raio de sol.

A Terra é um palco muito pequeno numa vasta arena cósmica. Pense nos rios de sangue derramado por todos os generais e imperadores para que, entre glória e triunfo, eles pudessem ser mestres momentâneos de uma fração do ponto. Pense nas infinitas crueldades cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra seus iguais de outro canto. Pense em quão frequentes foram os desentendimentos deles, em quão sedentos eles estavam para matar uns aos outros, em seus ódios fervorosos. Nossas atitudes, nossa autoimportância imaginária, a ilusão de que temos uma posição privilegiada no universo são desafiadas por esse ponto de luz pálida. Nosso planeta é um espécime solitário na grande escuridão cósmica que nos circunda. Em nossa obscuridade — em toda essa vastidão — não existe nenhum indício de que a ajuda virá de outro lugar para nos salvar de nós mesmos.

A Terra é o única mundo que conhecemos, até agora, capaz de abrigar vida. Não há outro lugar, pelo menos num futuro próximo, para onde a nossa espécie possa migrar. Visitar, sim. Nos estabelecermos em outro lugar ainda não é possível. Goste você ou não, no momento, a Terra é o nosso lar. Tem sido dito que a astronomia é uma experiência de humildade e firmeza. Talvez não exista uma demonstração melhor da tolice das vaidades humanas do que essa imagem distante do nosso pequeno mundo. Para mim, ela reforça a nossa responsabilidade de sermos mais gentis uns com os outros e de preservar e valorizar o nosso pálido ponto azul, o único lar que já conhecemos.

Você pode ouvir essas palavras na voz de Carl Sagan (com legendas) no vídeo de destaque deste post. Abaixo, uma versão na voz do dublador Guilherme Briggs, que vale muito a pena e traz uma profundidade merecida pelo tema.

 

Se você conseguiu imaginar a dimensão das coisas que estamos vendo neste post, é até meio indigesto pensar o quão insignificantes somos diante do restante do universo. Quer ver algumas fotos mais nítidas da Terra apenas para tomar como referência? Vamos à elas:

terra-saturno-cassiniA imagem acima foi liberada em julho 2013 pela NASA. Ela foi tirada pela nave Cassini, a cerca de 1,45 bilhão de quilômetros de casa. É um forte lembrete do nosso lugar no Sistema Solar, apenas um pequeno ponto brilhante no céu de alguém por aí.

E é, também, um feito raro. É muito difícil capturar imagens da Terra dessa distância porque estamos relativamente próximos do Sol. Apontar detectores sensíveis diretamente a um ponto tão brilhante não costuma resultar em imagens decentes. Como a NASA explica, esta visão se materializou em um momento oportuno, quando Saturno se colocou na frente do Sol e bloqueou sua luz.

Quer se sentir menor ainda? Aqui está a Terra perto da Lua, também da Cassini:

terra-lua-cassini-640x640Com sorte, esta não será a última vez que veremos a Terra pelos olhos da Cassini. A nave orbita Saturno desde 2004, estudando seus anéis, luas e planetas vizinhos. Mas não importa quantos dados ela colha de Titan e Júpiter, no fim das contas sua maior contribuição pode ser a perspectiva.

O quão pequeno você está se sentindo agora? O quão especial é a civilização humana nesta vastidão que é o nosso universo? Uma pergunta que é fácil de ser feita quando nos questionamos sobre o assunto é: O universo sendo tão grande como é, será que estamos realmente sozinhos? Mas este é assunto para um outro post. Aguardem até a próxima terça-feira!

Com referências de Gizmodo Brasil.

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